A AJUDA MÚTUA E COMUNITÁRIA


Antes de entrar diretamente no assunto da comunidade, vejamos uma breve introdução sobre o tema do Escambo em sua origem.

De acordo com historiadores e arqueólogos, a prática de escambo surgiu na Pré-História, durante o período Neolítico, - a cerca de 10 mil anos. Foi o surgimento da agricultura e da criação de gado, que favoreceu a troca de trabalho por produtos neste período.

Na época, quando ainda não havia moeda padrão, as pessoas trocavam diretamente produto por produto, conforme a necessidade de cada um. Por exemplo: quem precisava de trigo trocava com quem tinha vinho. Era o ser humano com sua criatividade, procurando suprir suas necessidades e praticando ações de convivência social.

Trazendo este tema para a comunidade, cita Dorivaldo: “Na minha infância, eu vi muitas vezes trocas de várias coisas entre os vizinhos, com isso os que estivessem necessitados eram socorridos”, referindo-se à convivência na comunidade. 

Além disso relembro que havia a prática de pequenos empréstimos entre vizinhos mais próximos, como de açúcar, café, querosene, por exemplo, para reposição posterior quando aquele que emprestou comprasse o seu produto. Alguém pode lembrar com isso aquela música do Pinduca que dizia...”Abenção tia Maria, abenção tio José, minha mãe  mandou buscar, um pouquinho de café”, isso era realidade entre alguns.

Também em determinada época surgiram os chamados “marreteiros”, que levavam algum produto de origem urbana, como gêneros alimentícios e pequenos utensílios, e faziam a permuta por frutas ou animais como galinhas por exemplo e ovos. Neste caso havia certa valorização a mais pelo produto do “marreteiro”, mas como havia a necessidade e atendia, a permuta acontecia. Umas dessas pessoas que conheci chamava-se Sr.José Barros, homem de bom trato e bom negociante, que em sua bicicleta fazia atividades como estas e minha família (Bentes) negociava com ele.

Outra prática era prestação de serviço de diária para uma determinada atividade, por exemplo: Um necessitava fazer uma “derrubada” para roçado, o dono do serviço chamava um morador para ajudá-lo e o serviço durava 3 dias, o dono do roçado então passava a dever 3 dias de serviço aquele que prestou o serviço. O pagamento seria com 3 dias de serviço naquela atividade que o prestador do serviço necessitasse, por exemplo, na colheita de arroz ou ajudando a fazer o seu roçado. Era uma relação de confiança, que infelizmente algumas vezes era quebrada e fragilizava a amizade.

Outra forma também envolvia mais pessoas que após acordo, juntavam-se e faziam o que na época chamava-se de puxirum ou multirão, que eram várias pessoas juntas fazendo a mesma atividade no mesmo local em beneficio de alguém. Neste caso, fazia-se um rodízio de forma que todos aqueles que recebessem o serviço, sendo, portanto beneficiados, também pudessem pagar com mesma moeda, ou seja, com o serviço, que geralmente era no mesmo tipo de atividade. Novamente uma relação de confiança.

Houve pequenas vendas, como do Senhor Antonio Seringueiro e do Senhor Raimundo Carneiro que atendiam as necessidades dos moradores durante algum tempo com gêneros alimentícios, querosene e outras utilidades.Mas às vezes tinham que usar a caderneta para anotar os “fiados”, prática normal em muitos comércios.

Minha mãe, já em Santarém, na Matinha, mantinha uma relação de amizade com dona Raimunda, a vizinha a casa dela, abriram um portão ao lado, por onde todos os dias se falavam e frequentemente uma levava para a outra um prato do seu almoço, não importava do que fosse. Simplicidade e amizade verdadeira.

Como cada época tem a sua história, a atual está sendo escrita e quem sabe possa ter um contexto mais avançado, mas com boas relações entre as pessoas, como se buscava fazer e na maioria das vezes, conseguia-se.

E assim caminha a humanidade.

Com apoio do Dorivaldo Sampaio.




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